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10 setembro 2012

Coisas que tiram-me de mim

Há certas coisas que deixam a gente desestimulado, mas daquele jeito a qual você se pergunta "que diabos está fazendo no mundo" e no que crê que está fazendo.
Uma delas cada vez que me lembro me questiono que raios eu estou a me matar para ser uma pessoa melhor e mais conhecedora da nossa língua-mater.
Sabes do que falo? não? É esse "tapa na cara" de o Sr douto Ronaldinho Gaúcho ter ganho a mais alta comenda da Academia Brasileira de Letras, a comenda Machado de Assis (?!?!?!?!?!), como assim? honraria estendida a quem muito faz por nossa língua e nossa cultura.
Não, vocês estão de brincadeira.... É por isso que "essa casa tá caindo".
Essas coisas mexem com o interior desse caboclo editor e redator.


Sei que não tem "nada acver" (como diria o sr Quevedo), mas hoje, pela madrugada, acordei lembrando dessa música (essa do link), dessa letra (Pas Sans Toi). Encontrei na voz da interprete Lara Fabian para postar aqui. Ficou bacaninha a versão, diga-se. Essa letra é muito especial para mim, me reporta um momento muito intenso da minha vida.

17 dezembro 2011

TOC do "Curtiu" e "Compartilhou"

O sedentarismo do ativismo me assusta. Com o advento das tais redes sociais o sentimento de indignação passou a ser motivador de ações aparentes, de atitudes ilusórias. E isso me assusta.

Eu vejo que as pessoas se convencem mesmo que estão fazendo algo de verdade, repassando links disso e daquilo como se fosse pastelaria.

Nada mais me assuta: o cara se diz um cidadão ativo e consciente. Daí você pergunta para o distinto o que ele fez ultimamente quanto a isso. E ele: - Ah, só hoje eu "compartilhei" dez vezes e "curti" umas quinze ações cidadãs (?!?!?!?!?!?)

Sim, José, são momentos bicudos.

Ele redirecionou ultimamente 20 vezes sobre o caso do cachorrinho morto a pancadas (ok,ok, ponto positivo pra ele, isso é algo ignóbil mesmo), daí vc pergunta o que ele fez em relação às milhares de crianças que morrem de fome todos os dias no mundo, ou sobre os milhares de cães que são eutanaziados nos CCZs Brasil à fora, ou sobre inúmeros patrícios que morrem todos os dias às portas dos nossos lindos "hospitais-favelas". E ele? *Silêncio*.

Ah! Esqueci! não havia nada sobre isso para ele "curtir" ou repassar sem pensar em nada.

É torcer para algo diferente acontecer e ele ter a oportunidade de ver o que ocorre lá fora no mundo de verdade. Hope.

E viva à superficialização e virtualização da solidariedade.

Estamos vivendo um remake das etapas da Antropologia às avessas. Quando a antropologia surgiu como ciência essa diciplina era teórica, de gabinete. Daí veio o Pessoal da Escola funcionalista e "foi pra rua", romper com a distância e com a teorização, depois os Extruturalista vieram e aprofundaram esse processo.

Agora com Googleralização da busca de informação e a Facebookização e Twitteralização das ações retrocedemos feio e velozmente, e estamos vendo o mundo pelos olhos do Grande Oráculo e trocamos nossos braços e pernas pela cria do Zuckerberg, vidrados e embasbacados que estamos diante da telinha do iphone.

*suspiro"

29 outubro 2011

Fugas proparoxítonas

Fugindo das atitudes sórdidas,
e pensamentos fúnebres.
Colecionando resultados pífios,
presenciando posturas líquidas,
e tendo reações ígneas.
Acreditando em conquistas sólidas.
.
Observando mulheres tímidas,
e tocando fêmeas intrépidas.
Penso em fugas etílicas,
causando demandas piroclásticas,
tenho falas solícitas,
e gestos harmônicos.
Gerando fronteiras flácidas,
de derrotadas sociedades típicas,
e movimentos biômicos.
.
permaneço fugindo das soluções cítricas,
e dos finais incômodos.



Éder

31 outubro 2010

No Limits

Esta foto ao lado é de um dia, não faz muito tempo, que desci a serra para vivenciar uma linda tarde, ao lado de pessoas muito especias.





Mas coloco esta imagem aqui pois ela, de certa forma, representa como me sinto diante da vida neste instante. Vejo meus caminhos com muita neblina, chuva, ventos e desenvolvendo por caminhos sinuosos. O que não quer dizer que sejam badtrips, mas difíceis e irreconhecíveis até que se esteja a um metro das curvas.





Mas mudando de assunto, queria contar algo que mexeu muito comigo recentemente.


Sabe, já ouvi muitas histórias horrorosas e monstruosas de pessoas com intensões espúrias que se aproveitam da boa-vontade alheia, segue uma que aconteceu comigo, que conto resumidamente...




De uns tempos pra cá surgiu com certa frequencia, na porta de casa, um casal jovem solicitando ajuda, assistência. Eu eu, como sempre, busco auxiliar da melhor maneira que julgo que deva.

Passaram-se os dias e a frequencia aumentou, o que era de semana em semana passou a ser dia sim outro não. Mas até aí tudo certo, a necessidade não marca hora.





Esse jovem casal, que sempre se apresentou de maneira simples, tinha dois filhos. Um recém-nascido (é complicado como essas pessoas necessitadas são incapazes de evitar a natalidade). Eu sempre buscava dar toda semana mantimentos e leite para os filhos deles. Confesso que me apeguei às crianças e até mesmo ao casal, que cmo disse sempre se mostrou sincero e simples.





Certa feita, quando chegava de carro e encostei na garagem perebi que os dois estavam me esperando do outro lado da rua, a mulher sentada na calçada, com cara de não estar passando bem. perguntei oque acontecia, ela me disse que havera rompido dois pontos da cesariana feita no parto ocorrido fazia menos de um mês. Isso me preocupou.





Para resumir, uma semana sem aparecer, o rapaz me toca o interfone aproximadamente meia-noite. Atendi com muito custo, visto que estava muto gripado. O rapaz, diz que acaba de receber o aviso que sua mulher falecera, que precisa de um dinheiro pra poder chegar ao hospital. Eu, ainda meio sonolento me supreendo, mas além de estar muito gripado e lá fora estar uma noite fria e com ventos algo me disse para negar. Mesmo contrariado e me sentindo desconfortával, disse que voltasse no dia seguinte, que naquele momento nao dava.





Confesso que não dormi a noite inteira por conta disso, a culpa e o remorso me corroeu até o ultimo osso.





No dia seguinte o rapaz voltou, eu me desculpei por não tê-lo atendido e me compadeci com sua dor, dei uma auxílio e este disse entre gestos e falas de comoção que sua mulher morreu por conta de infecção da operçaão, descreveu como encontrou o corpo dela no necrotério e me convidou para seu velório e disse voltaria para sua terra, pois ali depois disso não dava mais pra permanecer em São Paulo.





Disse para o rapaz que não podia por conta de reuniões no trabalho, como de fato. Este foi embora. Entretanto no meio da tarde numa folga entre uma reunião e outra fiz as contas do tempo e resolvi dar uma passada no velório, afinal do rapaz era sozinho e deveria ser um momento horrível. Mas ao chegar no local e hora indicados nao tive a sorte de achar a cerimônia. Não havia o enterro das mulher dele ali. Puxa, certamente me equivoquei em algum dado. Voltei para casa.





Passou dois dias, e numa manhã o interfone tocou, era ele, o jovem viúvo. Estava avisando que ía para sua terra no início da manhã seguinte e pedia para que eu descesse... Interrompi sua fala e desejei boa-sorte. Desliguei o interfone. Dei as costas e me senti horrível, pois era possível qu equisesse agradecer por todo auxílio e talvez até quissse um auxílio para a viagem, o que seria cabível. Mas eu como sempre agi conforme meus intinstos e intuitivamente. Mas lhes digo, me senti horrivel, qual a razão de eu agir assim , tão diferente de mim?




Passou-se um mês.





Dois dias trás eu estava tomando um café observando a rua, assim recostado de ombro no canto da parede, donde quem passa na rua não me vê. E não é que vejo passando todo frajola o rapaz, de oculos escuros, fasceiro.





Pensei, como se recuperou bem rápido da trajédia. Triste de quem morre. E não foi para sua terra, mas quem sabe não conseguiu a passagem gratuita da prefeitura como pretendia.



É meus amigos, a realidade era bem mais asquerosa.




Hoje, eu e minha mãe estávamos na garagem, quando de repente, não mais que de repente, passa destraidamente a fantasma da mulher do viúvo com suas crias no colo e na mão, não nos viu. Ficamos boquiabertos. Logo atrás, uns dez metros o jovem-pseudo-viúvo, a chamando, pedindo pra esperar, para andar mais devagar. Ele virou a cabeça e nos viu, ficou por alguma fração de segundo estático e depois saiu correndo.





Minha mãe, começou a falar na cachorrada do rapaz, sem parar, e eu fiquei calado. Aquilo me deixou passado. Atordoado.





Veio a lembrança meu sofrimento, dor pela morte da moça que nem tinha vivido ainda e que deixava dois pequenos sozinhos no mundo, da minha correria para poder dar apoio a ele no velório, da minha culpa que me corroeu por nao tê-lo ajudado, da minha preocupação, de tudo. Fiquei arrasado, me sentindo idiota, manipulável, um panaca. Em seguida fiquei indiguinado.




Me senti ferido, por ter sentido uma dor por eles que eles mesmos não estavam sentindo, que jamais havera sentido. Canalhas.





A pior covardia é usar da confiança e boa-vontade alheira de maneira desonesta.





Pedi muito a Deus para tirar aquele sentimento que estava esperimentando naquele momento. Já fui quando jovem agente da FAO, inclusive em Minsk, e acompanhei de perto a miséria em Timor Leste no tempo da queda do totalitarismo lá. E vi muita coisa ruim e luta por sobrevivência que levava a atos sujos, mas nunca tinha vivenciado algo assim, tão covarde. Há mais detalhes que não contei para não estender mais esse livro.





Que os Deuses e Deusas me afastem desse tipo de criaturas.









Para desopilar o fígado disso uma música de extrema beleza e sensibilidade de


Linda.