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11 julho 2013

se vivo

Ele, de fato, a ama muito,
mas sabe, agora, que ela o vê como a infelicidade de sua vida.
Ele a quer feliz, posto que a ama.
Se ele é a infelicidade de sua vida,
liberta-a da tristeza, pois,
ainda que para si o abismo isso seja.
A queda do abismo é longa, gélida e angustiante,
mas após a dor e o estrondo do baque no fundo, se vivo,
seguirá.

17 maio 2013

Longe

Você, quando criança, já teve um passarinho, um grilinho ou outro bichinho
que curtia muito muito, que amava e fugiu?
Um brinquedo, um livrinho, um joguete que perdeu?
Ou uma joia que te escapuliu? aquela que você tinha como tesouro precioso?

Dói demais estas perdas não é?
É como andar na rua em dia frio sem agasalho,
você sente aquela agonia e sofrimento do frio,
aquilo não te mata, mas te traz uma sofreguidão sem tamanho,
sente aquela sensação de insuficiência, de vulnerabilidade que não passa.

E oque mais te traz dor e ao mesmo tempo alívio
é saber que talvez aquele passarinho esteja voando mais feliz e livre agora,
aquele brinquedo está trazendo mais felicidade nesse instante,
e aquela joia agora longe de você, pode estar brilhando mais agora.

Talvez o caminho mais sensato seja admitir isso.
Agora está tudo mais triste por aqui,
mas lá longe agora está melhor.

E, quem sabe, toda essa dor seja o melhor a acontecer,
ao menos lá no longe de ti.

07 dezembro 2011

Desventuras? Eu quero um Combo!

Daqui da altura do telhado do Mausoléu (de onde se tem vertigens acachapantes olhando-se para baixo) eu posso ver pessoínhas lá embaixo fingindo ser felizes com a receitinha de bolo dos outros. Parecem, no meu entendimento, desejar aparentarem viver num eterno comercial de cerveja skol, rindo embasbacadamente, rastejando-se por um caminho manjado e fabricado por verdades cenográficas de alto-astral tipo praia, samba, álcool, bunda, sol e churrasco.
O Bom Jesúis sabe que eu tentei sempre ser tolerante com as pessoas que fazer o tipo "alegrinho(a)-superficial", mas muitas vezes, confesso, não "logrei êxito". Nem sempre o cidadão está zen o suficente para ouvir coisas do tipo "Uhú! sexta-feira! fechô seizóra! vamu escutar calcinha preta (?!?!?!) no Zé Leite!!" enquanto você tenta desenvolver uma ação solidária coletiva num orfanato.
É claro, ninguém é obrigado a ser o "engajadinho mala", lóbiviu (com o diria meu sobrinho), mas tudo na bitola. Nem mais, nem menos.

E quando o mesmo declara para você num volume de voz que mais parece que estás numa sala 10 metros distante: "Peixe, vamu pro Zé leite? lá tem uma vaca-atolada do diabo!"

Que é do diabo eu não levanto polêmica, mas logo após meus tímpanos voltarem a um nível de funcional ao menos metade do anterior eu realmente gostaria de discutir a real satisfação de curtir uma vaca-atolada a 30º C de verão tropical com pessoas ululantes, escutando uma música, digamos, diferenciada (como diria Mr Tucano). Well, gostos são gostos e yo nada tenho akver com isso.

Caminho rumo ao meu santuário de descando e ao chegar, qual a supresa? Os mais novos vizinhos tinham produzido uma festinha (um rala-bucho) que transbordava para a rua. Tocando, para deleite do meu pavilhão auditivo, pérolas do cancioneiro das altas latitudes brasileiras. Abri o portão da garagem já me sentindo em algum pancadão de Belém. imaginava que a qualquer momento um ximbinha iria me abordar e me dar alguma punhalada final na minha alma.

entro em casa, tento me desentoxicar disso tudo, colocando dois xumaços de algodão no ouvido e clamando socorro a um martini gelado. Mas quando abro meu email.... ... ....é minha editora solicitando para eu fazer uma boa reportagem de um suposto notório grupo de forró, ou tecno-brega, ou pagode, ou axé, ou funk, ou sertanejo, ou macarena, ou lambada, ou macuco universitário, ou algo assim (!!!!!!!!!!!!!)

daí o cidadão se sente na obrigação de sofrer uma embolia.

são dias difíceis...

é o 2012 chegando, é a primavera árabe, o armagedon, o kaly-yuga, o purgatório na Terra, ou algo assim.

05 setembro 2010

Ondas noturnas

Estar no mar a noite é algo tão bom para mim. Sentir nos pés e no corpo as frias ondas noturnas. Ouvir o rugido do oceano na escuridão que funde o horizonte ao negro céu.
Isso é algo que me alimenta e me leva além de mim.
Esta noite é uma noite muito importante para minha vida. Nesta, possivelmente, muita coisa acontecerá e disso muito se alterará.
Talvez, quem sabe, por muito tempo este Mausoléu não me verá presente.... ou o contrário.