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11 junho 2023

O Gato Condecorado

O Gato Condecorado



Daguerre era um gato indomável;
às vezes na tranquilidade chamava-o de Corcel Negro (se ao menos negro fosse...). Não era de ninguém, linda criatura de bigodes. Sim, estes eram grandes, nunca maiores bigodes vi. Quando cheguei naquela agência ele já perambulava pelos beirais, mas ninguém dara crédito ao mundano. Já no segundo dia de trabalho cheguei com dois potinhos e ração. Três dias depois o danado já reinava mesas, cadeiras e nichos naquela outrora comportada agência publicitária.


Gato safo, Daguerre era o tal.
Das noites chegava
com seu curto miau,
importância não dava
ao entrar no quintal
da agência burlava
o fechado beiral,
da janela se atirava.
Daguerre era o tal.

Seu nome vinha de Daguerre, um dos inventores da fotografia, naquele momento estava fissurado pelo assunto, e ele, todo em tons de branco, cinza e preto, parecia uma foto antiga. Foi o que bastou: Daguerre.
Descia pelo paredão, e entrava faceiro janela adentro. Dava um miado curto pra avisar que chegou, para colocar mais água no feijão. Era folgado, malandro, sem-vergonha mesmo. Caminhava pelas mesas, ninguém reclamava, ele era rei. Gato de ninguém, gato de todos. Atravessava a agência pelas mesas e estantes. E finalmente se refestelava no encosto da cadeira de visitas do Viegas. Que ninguém o incomodasse ali, pois dali só saía no final do expediente para pernaltar pelos telhados em busca de uma gata para namorar.


de preto e branco pintado,
com sol ou nublado
de frente ou de lado
chegava folgado;
silêncio ou num brado
alegre ou calado
recebia o chegado
gato condecorado.


Descobri à posteriori que gato sem dono não era, tinha cuidados e refinos, era companheiro do velho do prédio ao lado, velho pracinha que lutara na guerra na queda do Monte, e caminhava capenga no bairro com suas lembranças de fuzís e estalos das trincheiras, com sentimentos de pezar fraterno e glória patriótica. Dizem até que em momentos de delírio e amor paterno ao bichano, à ele dera sua medalha por honra e méritos de campanha.
Mas certo dia lá não voltou o arisco gato, passou dia, passou noite. Passou semana. Logo descobrimos o fim brutal.
Os desabrigados do Largo arrumaram um jeito de amenizar sua necessidade, selvageria bestial, vitimavam os gatos da região na calada da noite, na conivência da patrulha. Ficamos sem Daguerre. Muitos choraram. O Pracinha também; dizem, não sei ao certo, que não tardou foi-se também. Ganhou a guerra, a solidão o velho não venceu.


Não escapou o arisco,
é a fome do desabrigo,
tamanha calamidade.
o pobre virou petisco,
saciando o mendigo
na agrura da necessidade.



Em memória de Venceslau, o pracinha; e Daguerre, o gato condecorado.
Texto originalmente escrito  para o blog "Sobre Felinos"em 30 de Maio de 2006

28 maio 2023

Sopra o Vento como outrora

 Eu te senti hoje. Depois de tanto tempo vens se mostrando para mim pela noite, pelos caminhos. 


É inconfundível para mim a forma como assopra na madrugada, como mexe as árvores e as folhas no chão, para muitos dizer isso é insólito, mas é assim que é, eu te sinto e te vejo nas lufadas de vento na noite, sempre foi assim.


Escuto seu canto e seu sussurro; sinto seu aroma, seu perfume. Estás por perto, queres dizer algo, eu sei. Vou tentar escutar. Abrirei os ouvidas da alma para tornar inteligíveis os sinais.


Você me faz sentir-me Ôbèron novamente, este que se perdeu em algum ponto da trilha  escura que fiz caminho em minha vida, ele está lá, onde soltamos as mãos, aguardando, perdido como eu, nessa caminhada. Talvez, quem sabe, até nos reencontremos. Ele, indubitável, deve estar diferente; eu estou e porque raios ele não estaria. Mas quem sabe nos abracemos, talvez ele me estapeie, um tapa seco, com um misto de raiva e felicidade de reencontro.


As arvores estão balançando seus galhos, sim, você está chegando.


Eu não sei mais para que cardinal  está o Mausoléu. Foram muitas curvas, quedas, ribanceiras, montes escarpados, ladeiras e becos. O itinerário se foi. ... Mas quem sabe, e eu disse "quem sabe", você me aponte o caminho até ele.


Talvez não tenha mais a chave para entrar, mas com toda certeza será uma emoção vê-lo, ainda que de fora.


Mas, você está chegando, e tudo pode acontecer. Eu posso te sentir. 

Se fechar os olhos agora, é bem capaz de te ver.


Você me tira das conversas sem sentido e valor, das pessoas vazias, do vazio de propósitos, no mau-conselho, da detração (você me ensinou a não aplicar um minuto da minha vida com detratores), Você me traz a arte, a arte que eu permito que me salve todos os dias desse abismo cinza do coletivo humano. Você resgata minh'alma desse poço  de alcatrão que é a vaidade  e o ego, como um André Luís em meu umbral pessoal.


Quando conversávamos nas infindas madrugadas, meu filho ainda não estava nesse mundo (ou estava), ainda não era (não como agora, ao menos).


Ele também tem o talento, eu percebo. Que ele siga seu próprio caminho, que desvende como o seu talento se fará vivo em si. Será um privilégio assistir isso, se o Universo me conceder essa honraria.


Você está aqui.


Escuto Daniel Pemberton

11 julho 2013

se vivo

Ele, de fato, a ama muito,
mas sabe, agora, que ela o vê como a infelicidade de sua vida.
Ele a quer feliz, posto que a ama.
Se ele é a infelicidade de sua vida,
liberta-a da tristeza, pois,
ainda que para si o abismo isso seja.
A queda do abismo é longa, gélida e angustiante,
mas após a dor e o estrondo do baque no fundo, se vivo,
seguirá.

17 maio 2013

Longe

Você, quando criança, já teve um passarinho, um grilinho ou outro bichinho
que curtia muito muito, que amava e fugiu?
Um brinquedo, um livrinho, um joguete que perdeu?
Ou uma joia que te escapuliu? aquela que você tinha como tesouro precioso?

Dói demais estas perdas não é?
É como andar na rua em dia frio sem agasalho,
você sente aquela agonia e sofrimento do frio,
aquilo não te mata, mas te traz uma sofreguidão sem tamanho,
sente aquela sensação de insuficiência, de vulnerabilidade que não passa.

E oque mais te traz dor e ao mesmo tempo alívio
é saber que talvez aquele passarinho esteja voando mais feliz e livre agora,
aquele brinquedo está trazendo mais felicidade nesse instante,
e aquela joia agora longe de você, pode estar brilhando mais agora.

Talvez o caminho mais sensato seja admitir isso.
Agora está tudo mais triste por aqui,
mas lá longe agora está melhor.

E, quem sabe, toda essa dor seja o melhor a acontecer,
ao menos lá no longe de ti.

17 dezembro 2012

Depressão, gole e meio...

Comprou um óculos estreitinho na segunda, pendurou um Levi Strauss no sovaco na terça, consumiu um Sarau Literário na quarta, debochou de dois pagodeiros no caminho do trabalho na quinta, postou uma frase de Bukowski no face na sexta, no sábado já se achava tão melhor que as amiguinhas do prédio que não saiu de casa pra balada, ficou em seu quarto tomando algumas doses de depressão com gelo bem acompanhada por seu ego cego e emburrecido, que bem instalado estava naquele lindo espelho trincado que nunca foi tão pequeno.


10 setembro 2012

Coisas que tiram-me de mim

Há certas coisas que deixam a gente desestimulado, mas daquele jeito a qual você se pergunta "que diabos está fazendo no mundo" e no que crê que está fazendo.
Uma delas cada vez que me lembro me questiono que raios eu estou a me matar para ser uma pessoa melhor e mais conhecedora da nossa língua-mater.
Sabes do que falo? não? É esse "tapa na cara" de o Sr douto Ronaldinho Gaúcho ter ganho a mais alta comenda da Academia Brasileira de Letras, a comenda Machado de Assis (?!?!?!?!?!), como assim? honraria estendida a quem muito faz por nossa língua e nossa cultura.
Não, vocês estão de brincadeira.... É por isso que "essa casa tá caindo".
Essas coisas mexem com o interior desse caboclo editor e redator.


Sei que não tem "nada acver" (como diria o sr Quevedo), mas hoje, pela madrugada, acordei lembrando dessa música (essa do link), dessa letra (Pas Sans Toi). Encontrei na voz da interprete Lara Fabian para postar aqui. Ficou bacaninha a versão, diga-se. Essa letra é muito especial para mim, me reporta um momento muito intenso da minha vida.

29 julho 2012

Caminhos

Se eu mostrar-lhe meus labirintos interiores, desejará trilhar por seus incertos e confusos caminhos para chegar no cerne de meu coração? Digo-lhe, amor meu, valerá cada passo ao final da viagem.





23 março 2012

Dos livros que li

Este ano se tudo continuar como camnha devo atingir a marca de 3 mil livros lidos, bem lidos e absorvidos; bem como chegar a 100 livros escritos. Para alguns, à priori pode parecer números altos, mas para um editor é média.

Para um leitor comum certamente é, visto que a média de um bom leitor é de 500 na minha idade. Além do livro ser caro no país se guarda o estigma de quem lê mais de dois livros no mês, ou é rico ou não tem mais nada o que fazer, não tem vida social. Triste mentalidade.

Além de ser editor, claro, conta o fato de eu ter crescido em meio a uma rasoável biblioteca, compendiada por meu pai, um amante da literatura. Aos 16 ou 18 já tinha lido mais de 400 livros. E obras de Proust, Socrates, Platão, Engels, Kafka, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Eça de Queiroz, Neruda, Malinowsky, Jung e outros não eram estranhas para mim.

É interessante como isso hoje tomou uma importância diminuta dentro de mim. Claro, eu sei do tesouro que é isso dentro de minha alma, entretanto é tão insignificante quando se observa o ouro do mundo, o interior das pessoas, o universo inteiro que é um ser humano, que todo esse arsenal de conhecimento se simplifica e perde o brilho de metal precioso.

Vejo tantas pessoas se engalanando pelo fato de ter lido Levi Strauss, ou Ivanov, ou Wilde, ou Boff, ou sei lá o quê. Quanta vaidade vazia, despropositada.

Leituras sem vivências é conhecimento morto, que não se transforma em sabedoria. Das pessoas que conheci as mais interessantes, profundas, sábias, criativas eram as mais simples e desprovidas de bagagem catedrática.

Hoje sou responsável direto pela edição de dezenas de livros por ano, e ainda bem, é uma lista eclética de literatura, quase isenta de preconceitos (digo quase pois nunca estamo slivre disso, ainda que nos esforcemos).

Aqui rendo minha homenagem aos simples, aos tranquilos, não empossados nos tronos da vaidade dos que se entendem à parte da "sociedade diminuta".

07 fevereiro 2012

Gato Judiado

Da janela eu vejo o felino
Lambendo seu pêlo
tratando com zêlo
como bailarino
seu casaco feupudo
trepado no murro
silencio, ele é mudo?
de olhar muito duro
nao dá um miado
tirou-lhe doçura
a vida cruel
se tivesse ficado
longe da agrura
um dono fiel
tivesse encontrado
seria ele ainda
mas uma diferença
se perceberia
mudança mais linda
por dentro seria
confiança e crença
em amor e ternura.

18 dezembro 2011

Pingos

As nunvens já se contorcem nervosas sobre as nossas cabeças
e cospem pingos e desaforos ao calor que dominava solene até então.
Os estralos das gotas que ouço são música dentro de minha mente; e
são aliviadouros verdadeiro em tal tarde de verão.

As flores nos vasos concordam,
e se banham felizes em cena obscena, nuas pois que estão.

16 dezembro 2011

Pedaços

"Dos momentos inesquecíveis, parece-me, já esqueceste todos."

Essa tarde parada, eu sentado a cadeira,
faço minha mente atravessar um universo e chego
mais perto de você; Ainda que não a alcance.


Muitos sonhos despedaçados, e são os únicos
fragmentos que ainda tem alguma forma reconhecível
do que eu fui e do que eu desejei ser naquele dia.


Do futuro eu nada sei ou aguardo,
só espero esta tarde passar,
sentado a cadeira,
atravessando um universo.

29 outubro 2011

Fugas proparoxítonas

Fugindo das atitudes sórdidas,
e pensamentos fúnebres.
Colecionando resultados pífios,
presenciando posturas líquidas,
e tendo reações ígneas.
Acreditando em conquistas sólidas.
.
Observando mulheres tímidas,
e tocando fêmeas intrépidas.
Penso em fugas etílicas,
causando demandas piroclásticas,
tenho falas solícitas,
e gestos harmônicos.
Gerando fronteiras flácidas,
de derrotadas sociedades típicas,
e movimentos biômicos.
.
permaneço fugindo das soluções cítricas,
e dos finais incômodos.



Éder

08 agosto 2011

Exatamente neste momento

Neste exato momento uma mulher está sofrendo violências em sua própria casa por seu próprio marido.

Neste instante uma paineira, uma canela ou um jacarandá secular está caindo ao chão para serem produzidas algumas poucas belas cadeiras.

Exatamente agora um cidadão está morrendo em algum hospital desse país por falta de atendimento.

Nesse instante um uma crinaça está sofrendo sevícias com a conivência de seus familiares.

Neste exato momento um jovem está morrendo por overdose.

Agora mesmo uma mulher está dando à luz a uma linda criança.

Neste exato momento um casal está fazendo sexo intensamente.

Nesse momento uma criança está tendo dificuldades para fazer suas tarefas de escola.

Neste instante um arrimo de familia está sendo morto por um vagabundo em busca de quatro reais para comprar uma pedra de crack.

Agora mesmo uma pessoa acaba de ser atropelada.

Neste momento um atleta está chegando ao seu limite em busca de bater seu melhor desempenho.

Agora mesmo uma jovem está dando um lindo e imenso sorriso por conta de uma piada ouvida.

Exatamente agora um advogado está libertando um homem que foi preso injustamente.

Nesse instante, em algum local do mundo, cidadãos estão em passeata por um mundo melhor.

Neste momento uma mãe amamenta seu filho.

Neste instante o relógio girou o ponteiro e marcou mais um momento de sua vida que passou.


justamente agora.

Right Now!

E você, o que está fazendo examente agora (ou acha que deveria estar fazendo)?

03 agosto 2011

Prossigo cantando, beijando o espaço

Hoje, caminhando pelo estacionamento de um hiperemarcado fiquei observando alguns pardais que tomavam banho numa bacia de areia que possivelmente se formou por ação das chuvas. Sentei no portamalas aberto do carro e me perdi a fitar a cena. Dado momento um ou dois pardais levantaram voo até uma árvore avizinhada. Lá permaneceram e eu no meu voyerismo os fazia presença.


Mas observando bem, veio, assim de arroubo uma lembrança, a lembrança de quando aquela árvore era pequeninha, iniciante na jornada da vida por ali. Mas fazia tão pouco tempo, e era tão mirrudinha. De arrasto me veio outras lembranças enlaçadas a essa, a do murro defronte pintado, uma cumeeira de casa próxima não mais vista pela chegada de uma construção mais alta e outras tantas lembranças. Tudo tão recente, mas tão distante.


Me pus a pensar na temporaneidade das coisas, como tudo por aqui é momentâneo e célere. Tudo tão passageiro. Incluindo-se nisso nós mesmos.


Passamos por aqui tão rapidamente, male-male temos tempo de amar.
de respirar, de agradecer, de sorrir tranquilamente,
de auxiliar, de construir, de compreender.


Me lembrei do filme de Peter Pan, o capitão gancho falando das crianças que se resumem em poucas frases: eu quero, eu quero, eu quero! é meu, é meu, é meu! agora, agora, agora! E por isso elas não tinham dele a paciencia.


Penso: Somos todos essas tais crianças: eu quero, é meu, agora! Tantas coisas saem tao erradas por conta disso, por conta desse umbigocentrismo autista. Mas eu tenho um oceano para navegar e tão pouco tempo,


não posso ficar aos devaneios da minha mente que fervilha.
É hora de construir


E até que a morte eu sinta chegando
Prossigo cantando, beijando o espaço
Além do cabelo que desembaraço
Invoco as águas a vir inundando
Pessoas e coisas que vão se arrastando
Do meu pensamento já podem lavar
Ah! no peixe de asas eu quero voar
Sair do oceano de tez poluída
Cantar um galope fechando a ferida
Que só cicatriza na beira do mar
É na beira do mar


Trecho de Beira-Mar / Ze Ramalho
Nem sempre nos dias de festa, mas no dia da batalha os amigos sempre lutam no mesmo lado!Que os Deuses e Deusas me emprestem o fio da espada e perfume da rosa. Hoje, agora e sempre!

03 julho 2011

Rememberes no frio

Aqui nesta terra de Piratininga ainda faz frio, garôa e venta gelado. Não Posso dizer que isso me incomoda, pois os que me conhecem sabem que eu me alimento desse clima, desse espírito da Terra.




Gosto de dirigir neste tempo, de trabalhar neste tempo, de caminhar na rua neste tempo. Sentir o extremo do tempo no meu corpo.




Foi uma semana agitada, boa em alguns aspectos, por outros nem tanto; estimulante por uns e decepcionante por outros.




E sim, de correria com Moira, minha gata, que teve problemas gastrointestinais importantes e me deixou apreensivo. Graças aos Deuses ela está bem melhor (em breve posto fotos da monstrinha).




Agora estou eu cá no quentinho de meu escritório, já fiz minhas ilustrações do dia e meus roteiros. Por falar em roteiros, sometimes leio aqui o Mausoléu e vejo que eu não mais escrevo-o como antes, iricamente como antes. Sim, claro, tudo são fazes e ciclos e possivelmente vejo que possa vltar aqui ou ali a escrever daquele modo (ou não).


Os dias ficaram muito áridos, e as minhas inspirações ficaram para trás, num mundo perdido entre os afazeres do mundo real, as responsabilidade se os desencantos da vida. O fato é que as coisas estão ficando diferentes (não é de hoje). Sabe, ver a bundamolização da minha geração, do meu grupo de amigos (incluo aí eu mesmo, certamente) me entristece, me deixa descolorido.




Na faculdade acabei encontrando um conhecido dos meus tempos de moleque, de balada, de objetivos utópicos. A principio não o reconheci (nem ele a mim), mas certo dia conversando em um bar defronte a facul batendo papo, acabamos descobrindo que frequentávamos os mesmos locais e mesmos saraus e pistas de dança. Daí começamos a lembrar daqueles tempos, puxar duas décadas de rememberes, foi bem bacana...


Mas também me deixou boquiaberto de perceber quantas coisas deixei para trás, de sonhos, objetivos, convições etc.


Daí você me dirá: "Ah, mas isso é normal e esperado.".... É pode ser, pode ser normal, até comum, mas no meu ver não é sempre certo.




Coisas importantes e substanciais são deixadas para trás nesta brincadeira desatenta...


Sim, é normal,


mas nem sempre é certo,


e digo mais, nem sempre é o melhor.

Hoje escutei na madrugada Red Hot, esse clip é um sarro.






14 junho 2011

Entre o "talvez" e o "certamente"

Estou eu cá, nessa terra gelada que eu tanto gosto. De garôas geladas e ventos frios cortantes da "calada noite preta".

Muito tempo sem abrir as portas do Mausoléu, tudo empoeirado e rangendo. Mas não é assim que tem de ser um mausoléu?


Neste meio tempo enfrentei alguns pesadelos em mi vida. A maioria de ordem saúde, minha e de meus queridos. Muita coisa nesse redemoinho, muitos objetos para se pegar com poucos tentáculos para fazê-lo.


Falando assim, liricamente, parece até que vivi aventuras tipo irmãos Green. Mas não se engane, foram dias cinzas, amargos mesmo. Mas, isso faz parte do pacote da vida, dias bons, bad days...


Em breve volto por cá, para melhor escrever,

por hora deixo a janela do Mausoléu aberta, para ventilar um pouco e retirar esse cheiro de guardado.


Fico aqui assim, entre o talvez e o certamente dos dias, trabalhando e aguardando por dias mais amenos, com jeito de Cora Coralina.

30 janeiro 2011

Frouxos de Caráter, Afastai-vos

Por conta de coisas me ocorreram este mês estive pensando sobre como a insegurança faz da gente pessoas piores e como origina feiura interior em todos nós.
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A insegurança produz um série de subprodutos fedorentos dependendo dos ingredientes que cada um abriga dentro da parte mais escura de suas entranhas.
Não há nada pior que alguém inseguro e frouxo de personalidade por perto, estas causam mais problemas que as pessoas de natureza perversa.
.
por exemplo, para algumas pessoas a insegurança se apresenta sob o disfarce do temperamento violento e agressivo, para outras traz arrogância, outras, subserviência, outras a timidez ou introspecção, já outras expansividade e tagarelice, outras posturas de desdém e jactância, para outras trazem egoísmo ou inveja. O coitadinho, o aparecidinho, o covarde, o malediscente, o castrador-repressor, o moralista, o pudico, o super-protetor, o sabichão, todos inseguros ao extremo.
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Mas afinal de contas de onde vem a insegurança? simples, da VAIDADE.
Um tímido nada mais é que uma pessoa extremamente vaidosa, o egoísta, o arrogante, o violento e agressivo, o sabereto, estas pessoas não cabem em si dentro de sua vaidade imperiosa.
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Ôbèron, acaulelai-vos de sua vaidade e percebe como ela se expressa em ti.

18 novembro 2010

Time off

Muitas coisas ocorreram nas últimas semanas.
Coisas essas que me levaram a uma tristeza profunda, uma desilusão cortante.
Vejo que errei em coisas fundamentais. Me equivoquei.
O ajuste disso será penoso e possivelmente incorrerá em perdas importantes.
Me sinto mau por saber que falhei em coisas importantes, magoei pessoas. Errou-se também, certamente, mas o importante é o que tem origem em mim, isso faz a diferença, e não se justifica pelo que acontece "lá fora".
Acho que é hora de eu me recolher. Estou cansado, exausto de alma, preciso me recompor. Aguardar fechar as feridas. Aguardar o tempo da cura.

05 setembro 2010

Ondas noturnas

Estar no mar a noite é algo tão bom para mim. Sentir nos pés e no corpo as frias ondas noturnas. Ouvir o rugido do oceano na escuridão que funde o horizonte ao negro céu.
Isso é algo que me alimenta e me leva além de mim.
Esta noite é uma noite muito importante para minha vida. Nesta, possivelmente, muita coisa acontecerá e disso muito se alterará.
Talvez, quem sabe, por muito tempo este Mausoléu não me verá presente.... ou o contrário.

12 agosto 2010

Chuva Leonina se aproximando

Hoje, a Nasa prevê uma linda chuva de meteoros visível nesta madrugada agora (13/08), lá pelas duas da manhã (veja reportagem do portal Terra). Eu adoro as Perseidas, é assim que a astronomia chama esta chuva Leonina. Pois sempre, concomitantemente, ocorrem coisas curiosas em minha vida.
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Segue abaixo úlimo texto que escrevi sobre as Perseidas, ainda no endereço velho do Mausoléu, no Blogger. É aguardar e assitir.

[Sexta-feira, Dezembro 03, 2004]

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Olhai as perseidas no céu
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Semanas sem se manifestar. Mausoléu cerrado, silêncio sepulcrau (como de praxe é um Mausoléu). É estranho como a vida traz uma sucessão de acontecimentos que nos afastam das coisas que amamos, não é? Bem, deixe isso pra lá...
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Mas ao emergir do profundo de meus imprevistos previsíveis vejo em minha caixa de emails e comments dizeres tão legais, é muy importante saber que pessoas sentem falta da gente, do que fazemos ou escrevemos, do que temos a dizer, enfim, de nós. Gente que está em outros lugares, acerca ou longe, outros países, outras realidades, e estão tão pertinho da gente como outros que estão ombro a ombro fisicamente não estão. E sabem de nós, e os que nos olha cara a cara não sabem. É bem interessante.
Meus mais profundos, sentidos e fortes agradecimentos a todos que aqui visitam e às vezes deixam (ou não) seus posts e me fazem crer que sou importante ou que faço parte de um momento de sua atenção. Isso é mágico para mim e de extrema importância.
.
Não tem nada a ver, mas no dia 19/11 por conta de uma chuva leonina (aquele montão de meteoros riscando o véu negro do céu noturno) fiquei de cara pro ar olhando o firmamento por um belo tempo na madrugada. Foi bem interessante, pouco vi dos meteoros, mas fiquei contemplando a imensidão celeste na noite. A gente fica sempre olhando pro chão e esquece do universo. Fica registrado na nossa mente que o "Tudo" é um raio de 30 metros a nossa volta e acabou. Então quando olhamos para o espaço perdemos a noção de parâmetros de tamanho e distância diminutos que elegemos para nossa vida e mondo e quando baixamos a visão pro horizontal novamente temos a real percepção que estamos encarcerados em nossos minúsculos e ridículos corpos físicos e que vivemos como ínfimas partículas num universo mais do que gigantesco. Quando olhei a minha volta me senti um pouco "pequeno príncipe" regando a rosa e desentupindo vulcões num minúsculo planetinha então quis também segurar a cauda de algum cometa e sair pela Via Láctea conhecendo vários lugares, outras plagas.... ... ...Ilusão... ...
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Acho q preciso viajar dentro de mim, Já que não posso ser o Cosmonauta da literatura. Conhecer outras galáxias e quadrantes dentro do universo de meu próprio eu, invariavelmente conflitante e peremptório. Me aventurar pelos oceanos desconhecidos das almas que estão próximas a mim, descobrir novas matizes das conhecidas cores das paisagens da minha rotina. Desbravar o Cosmo de meu lugar comum... ...Expandir.
Parecem bobagens mas certas vezes estas coisas, as chuvas leoninas ou outras paradas, aparentemente sem relevância me põem a pensar e delirar por dias, semanas, meses às vezes. Sempre estamos pensando em ganhar dinheiro ou provar que podemos mentir mais perfeitamente que o outro e temos vergonha (ou sei lá o quê) de aplicar tempo pensando nas chuvas leoninas. Eu queria perder mais tempo olhando para o céu nas noites de perseidas e chuvas leoninas. Talvez algum dia me convenceria que o universo não é só os espaços que fazem parte do meu dia-a-dia da maneira que conheço.
.
por Ôbèron * Sexta-feira, Dezembro 03, 2004